3.3.09

Wicca e Bruxaria


Wicca e Bruxaria


Atualmente, vivemos um retorno aos cultos pagãos. Em verdade, uma releitura destes. A wicca e a bruxaria são as facetas mais conhecidas desse movimento. Mas será que elas são mesmo conhecidas? Em que se inspiraram esses novos bruxos para fundamentarem suas crenças?A bruxaria e a wicca têm um papel importante no resgate da figura da mulher, especialmente quando ligada ao religioso. Nas escultura do período Paleolítico, a mulher era um tema recorrente (Vênus de Willendorf, Laussel, etc.), representada seios fartos, quadris largos e a vagina bem delineada; era a materialização da Grande Mãe. Há indicações de que a mulher representava a imortalidade, os mistérios da geração da vida e o poder mágicko.Os símbolos femininos dessas épocas ancestrais se mantiveram presentes até a Antiguidade clássica e, de certa forma, até os dias de hoje.Margaret Murray, uma eminente egiptóloga, lançou a tese de que a bruxaria era um culto marginal presente no Ocidente desde o período Paleolítico. Esse culto se manteve vivo e atuante, paralelo aos cultos oficiais, seja o paganismo greco-romano, seja o cristianismo. Tinha como divindade principal o deus de chifres, conhecido como Cernunnos, Pá ou Dianus, um deus da fertilidade muito similar ao Shiva de Mohenjo Dharo, senhor dos animais, ou o Cernunnos celta.Essa tese de Murray ganhou uma legião de adeptos e, posteriormente, também de críticos. Hoje em dia, entre os acadêmicos, convencionou-se refutar a tese de Margaret Murray, tida como infundada. Apesar disso, na história da humanidade encontraremos inúmeros cultos que se assemelham à bruxaria.Vale salientar que muitos elementos atribuído à bruxaria foram criações da Igreja Católica que, com o fim do feudalismo e as convulsões sociais decorrentes, via sua hegemonia ameaçada. Assim, o Santo Ofício (Inquisição) tinha como meta resguardar a fé, ou melhor, o domínio da Igreja.Numa mudança radical, a sociedade, até então rural, se tornava urbana. O nome “pagão” vem do latim paganus, e se refere ao morador do campo, termo usado pelos romanos “cultos” convertidos ao cristianismo e que residiam nas cidades. Desse modo, pagão seria equivalente a “caipira”, e indicava alguém com crenças “atrasadas”, ou seja, ligado aos antigos deuses. Muitas das práticas pagãs eram vistas como crendices ou adoração ao demônio.A era das fogueiras se delineia a partir do século 15, sob grande influência alemã, de onde mais tarde surgiria Lutero e o protestantismo. Em 1484, o Papa Inocêncio VIII (1432-1492) criou a bula Summis Desiderantes Affectibus, o documento que dá o aval para a matança que se seguiria, dando corpo ao Santo Ofício. Esse evento motivou o Malleus Maleficarum (1487), obra dos dominicanos alemães Heinrich Kraemer (c. 1430-1505) e Jacob Sprenger (c. 14361494), um manual de caça às bruxas, também conhecido como O Martelo das Bruxas.Mas com o Renascimento artístico da época, também se desenvolve uma visão humanista e antropocêntrica, com o homem encarado como a “pérola” da criação e não mais um desgraçado pecador. Isso se contrapunha diretamente à Igreja e ao pensamento medieval. A vida era vivida em torno do ser humano, e não apenas da religião. Assim, as descobertas da Renascença abalavam os dogmas da Igreja e descortinavam uma nova era para a humanidade. A medieval retratava as desgraças do mundo e, conseqüentemente, as maravilhas do reino de Deus. A arte da Renascença mostra o homem feliz e a volta dos deuses romanos e gregos.
Marcos Torrigo
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